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Date: 2011-04-29 15:04:19
joão serra - “Dacha” – Да́ч

joão serra - dacha
 

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Até 14 de Maio na Cooperativa de Comunicação e Cultura - Centro de Cultura Contemporânea, exposição de Fotografia de João Serra.

 

Nove finalistas vão disputar a 9ª edição do Prémio EDP Novos Artistas 2011, iniciativa bienal organizada pela Fundação EDP, que tem por objectivo promover a criação artística e distinguir os valores emergentes da arte contemporânea portuguesa. A 9ª edição do prémio  contou com 408 candidatos.

 

 

João Serra (Lisboa, 1976), Fotógrafo é um dos candidatos com ele Ana Manso (Lisboa, 1984), com um trabalho centrado na Pintura; André Trindade (Lisboa, 1981), recorrendo à Escultura, Instalação e Vídeo; Carla Filipe (Aveiro, 1973), que usa Fotografia, Instalação e Pintura; Catarina Botelho (Lisboa, 1981), Fotógrafa; Catarina Dias (Londres, 1979), com uma obra centrada no Desenho, Performance, Pintura; Nuno da Luz (Lisboa, 1984), que recorre à Instalação, Vídeo; Priscila Fernandes (Coimbra, 1981), com propostas no campo da Instalação, Pintura e Vídeo; Vasco Barata (Lisboa, 1974), com Desenho, Fotografia e Instalação.
O comissariado de selecção foi constituído por Delfim Sardo, Nuno Crespo, comissários independentes, e João Pinharanda, programador da Fundação EDP, e o método de nomeação dos finalistas baseou-se num concurso.

 

 

João Serra


João Serra    Dacha” – Да́ча é a palavra russa que designa uma casa de verão, ou uma casa de campo que não é usada como domicilio. A palavra dacha também nomeia o lugar onde se edificam este tipo de casas ou habitações, geralmente nos arredores das cidades. Este é um fenómeno urbano com grande tradição na cultura russa mas que se generalizou apenas a partir da década de 90, no período em que se alteraram as relações de propriedade.

 

Nestes últimos dois anos tive o privilégio de acompanhar o trabalho de campo de uma equipa de antropólogos sociais que desenvolvem as suas investigações na região de Murmansk, no extremo norte da Rússia. Foi neste contexto que em 2009 descobri a riqueza estética destes lugares.

 

Joao Serra A região de Murmansk, à semelhança de outras zonas remotas da Rússia, foi colonizada a partir da década de 1930, pois a riqueza do subsolo justificava a exploração mineira em larga escala. Mas para isso foi necessário transformar os camponeses em operários e deslocar as pessoas do Sul para o Norte. Como esta região não era nada atractiva, e foi até ao início do século XX considerada inabitável, a maioria destes primeiros colonos foram sentenciados no âmbito do sistema penal soviético.

 

Foram estas pessoas que ergueram as cidades, construíram as infra-estruturas industriais e criaram todas as condições de habitabilidade. Mas não deixa de ser igualmente surpreendente que tenham desenvolvido técnicas e práticas agrícolas para lá do círculo polar árctico, em condições climatéricas extremas. Esta é a especificidade do fenómeno dacha nas cidades de Apatity, Kirovsk e Kovdor.

 

De certa forma, o fenómeno dacha na região de Murmansk pode ser entendido como uma espécie de regresso simbólico dos camponeses à terra num mundo pós industrial e globalizado. O trabalho, o investimento, o cuidado e a dedicação em cada lote, demonstram como é profunda e arcaica esta relação. 

 

Também a criatividade expressa nas Dacha contrasta com a arquitectura urbana, subordinada as regras do modelo soviético. A estranheza das formas, o uso de cores saturadas e a reutilização dos mais diversos materiais tem um enorme impacto visual.  

 

Esta exposição resulta do cruzamento de imagens, textos, narrativas e notas do trabalho de campo. E todos os elementos foram produzidos entre 2009 e 2011. Colaboraram neste projecto os antropólogos sociais: Alla Bolotova, Florian Stammler, Irina Razumova e Maria Nakhshina.

 

Joao Serra, Março de 2011.

 

Formação

2008 Curso de fotografia do Programa Gulbenkian, criação e criatividade artística.

2006 Finalista do Curso Avançado de Fotografia, AR.CO, Centro de Arte e Comunicação Visual.

2004 Curso Básico de Fotografia do AR.CO.

 

Exposições Individuais

2008 “Sem Título” Galeria Vera Cortês, Lisboa

 

Exposições Colectivas

2010 Da outra margem do Atlántico – alguns exemplos do vídeo e da fotografia portuguesa, Centro de Artes Helio Oiticica, Rio de Janeiro

2009 3º Ciclo de exposições do Carpe Diem – Arte e Pesquisa, Palácio Pombal, Lisboa.

2008 Programa Gulbenkian, criação e criatividade artística – exposição da 2ª edição do curso de fotografia, CAM, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Testemunhos – trajectos de qualificação, Centro de congressos da Alfandega do Porto.

2007  "antimonumentos", Galeria AH, Viseu.

2006 Prémio BES Revelação 2006, Casa de Serralves, Porto. Anteciparte 2006, Praça do Comércio, Lisboa. Ar.co – Bazar – Exposição de Venda de Angariação de Fundos, Centro Cultural de Belém, Lisboa.

 

2005 Exposição de verão do Curso Avançado de Fotografia do AR.CO, Almada. Convidado em representação do AR.CO no Prémio Vespeira, VIII Bienal de Artes Plásticas "Cidade de Montijo"

 

2004 Exposição Colectiva do Curso Básico de Fotografia do AR.CO, Lisboa. Cena d’arte, Galeria Municipal da Mitra, Lisboa

 

Bolsas/Prémios

 

2006 Bolsa BES, Bolsa de estudo AR.CO

2006 Prémio BES Revelação

         Prémio Anteciparte

 

mais informação em www.ccctv.org