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01-Mar-2010

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   A Cooperativa de Comunicação e Cultura tem o prazer de convidar V.Exas. para a inauguração da exposição '180', de João Henriques, a realizar no dia 5 de Março de 2010 pelas 22 horas. Patente ao público de 10 de Abril.

 

Após uma época de cocotes e fitinhas a Cooperativa de Comunicação e Cultura  retoma a sua actividade. Fotografia, sendo esta uma das actividades que tanto nos agrada e  caracteriza. Desta vez João Henriques é o nosso convidado, Torres Vedras e  um olhar a 180º foram o mote para este seu trabalho.
A Cooperativa é um local  simpático, com vida própria para além do espaço expositivo, biblioteca e  laboratório tem também um bar 'camara clara café', onde se juntam as hostes noctívagas da cidade.

Espero que possam aparecer, o trabalho que por ali se faz só tem sentido  quando nos brindam com a vossa presença!

 

horário: segunda a sexta 14:30/20:00 e das 21:0/02:00,

               sábado das 20:00 às 03:00

               por marcação das 10.00 às 12:30 ou em horário a combinar

 

JOÃO

HENRIQUES

 

 

joao henriques

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“A primeira questão que me coloco a mim mesmo quando algo não me parece belo é porque é que eu penso que não é belo. Em breve descubro que não há razão nenhuma.” John Cage

 

“Existe sempre um aspecto subjectivo na paisagem, algo nela nos diz tanto acerca de quem está por detrás da câmara, como do que está à frente dela.” Robert Adams

 

A fotografia de paisagem tem na sua génese duas características que parecem ainda rodear uma larga fatia da recepção contemporânea sobre a mesma: por um lado, a noção da paisagem paradisíaca, embebida de um romantismo sublime, e por outro, como objecto que fornece uma metáfora visual para as emoções do autor no momento do seu registo. Podendo servir como ilustração das virtudes intemporais da natureza ou como cenário para a experiência estética privada, será porventura proveitoso alargar o âmbito da fotografia de paisagem para além do virtuosismo, do formalismo estético ou da auto-reflexão, sem que desse acto resulte uma recusa ou desintegração desses conceitos.

 

Visando o questionamento acerca da maneira como a representação da paisagem é apreciada, criaram-se pares de imagens, em que uma foi efectuada a 180 graus da outra, visando evocar um sentido de polaridade, de oposição, cujo propósito seria também o de proporcionar através dessa figura antagónica, uma oportunidade de diálogo e de integração, às resistências por essas imagens suscitadas. Para além dessa questão, que é talvez de uma ordem mais subjectiva, poderá ser também importante motivar a reflexão acerca da forma como colectivamente construímos o mundo e as suas relações. Independentemente dos méritos e apelos estéticos do arranjo das formas, ou da contemplação meditativa da natureza, importa também perceber que qualquer representação da paisagem é também uma gravação dos valores humanos e das acções impostas sobre a terra ao longo do tempo. Uma imagem pode reflectir os traços de uma época, de uma cultura, nesse âmbito fornecendo um artefacto histórico onde se possam vislumbrar factos materiais da nossa realidade social, pelo que questões como preservação, beleza, desenvolvimento, exploração e regulação, etc., são campos de conflitos e compromissos, que merecem um olhar tão ou mais atento que o da singular fruição estética.

 

Para além deste sentido de equilíbrio entre o que é subjectivo e objectivo, e ainda que se cuide acerca do julgamento ou opinião emitida, deve-se no entanto frisar que qualquer representação, está sempre carregada dos sentidos que derivam da identidade pessoal e da história do fotógrafo, os quais, por sua vez, encontram as audiências com as suas próprias predisposições sociais, culturais, psicológicas, etc. Que esse encontro possa ser frutuoso para ambas as partes.

 

Março de 2010

 

João Henriques, nasceu em Tomar em 1967, vive em Torres Vedras. Licenciado em Gestão de Empresas, veio posteriormente a efectuar estudos Pós-Graduados em Psicoterapia e Relação de Ajuda, exercendo actualmente a profissão de Facilitador de Relação de Ajuda, a par do interesse que desenvolve pela Fotografia. Em 2007, expôs no âmbito da iniciativa colectiva “Traços de Identidade”, na Galeria dos Paços do Concelho, em Torres Vedras. Em 2009 é seleccionado para o evento “Emergentes”, nos Encontros da Imagem de Braga. Em 2010, apresenta o trabalho “Id”, na Casa dos Cubos – Tomar, integrado nas comemorações dos 850 anos da fundação da cidade, o qual terá edição em livro.

Actualizado em ( 05-Abr-2010 )
 
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